Filosofia Viral

Updated: Apr 14, 2020



Este domingo, os cristãos celebraram a Páscoa, a qual comemora a ressureição de Jesus após o terceiro dia de sua crucificação. Isso me fez refletir sobre a história da humanidade, que sempre foi uma história de sofrimento e recomeço. Infelizmente, nem tudo que aprendemos na vida é através do amor. Muito do nosso maior aprendizado vem através da dor e com isso, crescemos a nossa sabedoria e liberdade.


Eckhart Tolle disse:”enquanto nos definirmos em termos das nossas dores e problemas, nunca estaremos livres dela. “

A humanidade está mais uma vez passando por um período histórico de dificuldades devido ao CODIV - 19. Muitas pessoas estão ficando doentes, a maioria está confinada em casa, o desemprego está aumentando rapidamente, muitas estão trabalhando home-office, enquanto para outras, o alimento já está faltando na mesa. Apesar de estarmos todos enfrentando a mesma batalha, estamos lutando com armas diferentes e em situações distintas dependendo das condições de cada um.

Independentemente das armas empregadas, muitos de nós está com medo ou está se sentindo ansioso ou mesmo sozinho.

Um dos maiores medos do ser humano é o medo da incerteza, o qual precisamos aprender a lidar, pois na realidade a única constante da vida é a mudança. Não podemos nunca ter certeza do amanhã e por isto é tão importante aprendermos a viver o presente.

A história nos mostra que sempre há esperança e que tudo passa.


Independentemente do fato se você acredita na ressureição de forma literal ou de uma forma metafórica, esta passagem serve para nos lembrar que a cada dia podemos ter a oportunidade de um renascimento e de viver de forma mais alinhada com os nossos princípios e valores.

Com tudo o que estamos enfrentando, novos padrões de comportamento estão surgindo e não há como não nos perguntarmos e refletirmos:

  • Será que o trabalho remoto é mais eficiente e melhor para o meio-ambiente?

  • Será que cozinhar é mais saudável e melhor do que comer fora?

  • Será que eu posso gostar de cozinhar?

  • Será que eu não preciso de tantas roupas e tantos aparelhos eletrônicos e demais bugigangas?

  • Será que ficar em casa com as crianças pode ser gostoso? Será que elas prestam atenção no que digo? Será que podemos criar momentos onde haja mais diálogo?

  • Será que eu sei o nome do vizinho? Será que ele precisa de alguma coisa?

  • Será que eu não preciso viajar mais o mundo para ser feliz?

  • Será que eu posso ser feliz olhando para dentro de mim e entendendo as minhas reais necessidades e as necessidades do planeta?


  • O que é viver uma vida mais balanceada?

  • Qual pode ser uma nova definição de sucesso para um mundo que nos inspira o consumismo e que nunca parece que temos o suficiente?

  • Qual é a nossa definição de suficiente e bastante para equilibrarmos mais as nossas vidas e passarmos a nos preocupar mais com o coletivo do que com o nosso próprio individualismo?

São perguntas complexas e que requerem de fato um olhar mais ousado e profundo.

Recentemente estava lendo um livro de filosofia estoica sobre Marcus Aurelius e é tão bacana fazer um paralelo sobre a situação atual e como podemos aprender com grandes líderes de uns 2000 anos atrás.

Marcus Aurelius não foi somente um grande imperador romano, mas também um grande pensador estoico, cuja narrativa era de uma abordagem simples e consistente em como viver de forma virtuosa, mesmo em tempos difíceis e de stress extremo.

Os estoicos acreditavam que poderiam viver de forma virtuosa e com sabedoria de acordo com as leis da natureza ou com a ordem natural das coisas.

Ou seja: como aceitar o destino como ele é e não como achamos que deveria ser. Isso não queria dizer que eles não tivessem desejos e preferências, que não desejassem ter dinheiro, saúde e outras coisas. No entanto, os estoicos acreditavam que cada pessoa, rica ou pobre, possui a mesma natureza e deveriam viver de forma virtuosa e sabiamente, independentemente de suas circunstâncias.

Viver na virtude era viver seguindo 4 pilares:

- Sabedoria

- Moral

- Coragem

- Moderação

Com base nisso, podemos ter uma vida harmoniosa e balanceada. Parece fácil, mas não é.

É uma vida de constante prática e treinamento, de constantemente querer se aperfeiçoar e de escolher o caminho “correto” quando as situações aparecem. É exercitar o controle sobre nossas emoções e reações. Os estoicos acreditavam que a autêntica felicidade é derivada da satisfação de se viver uma vida virtuosa e não de uma vida de prazeres e fortes desejos.

Marcus Aurelius escreveu:

“Uma pessoa que não sabe o que é o universo, não sabe aonde ela está. Uma pessoa que não sabe o seu propósito na vida, não sabe quem ela é ou o que o universo é. Uma pessoa que não sabe nada sobre essas coisas, não sabe o porquê ela está aqui. Então o que pensar das pessoas que procuram o elogio daqueles que não tem conhecimento de onde ou quem eles são? “

Ou seja,

Quantas vezes nos perguntamos ou nos perguntam uma pergunta tão simples como “Quem é você e o que você faz? E nossas respostas, infelizmente, são efetuadas de forma superficial.

Será que não é o momento para irmos mais a fundo e pensarmos nestas questões todas para que a sociedade possa sair mais virtuosa e que possamos viver mais em harmonia?


Um pequeno passo, já é um começo.


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